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Expedições científicas


Historicamente, as regiões do Amapá foram pouco estudadas e visitadas por pesquisadores. A falta de informação compromete a elaboração dos planos de manejo das unidades de conservação (UCs) e a conseqüente gestão da área. O Projeto Expedições Científicas, conduzido no Corredor de Biodiversidade do Amapá ao longo de dois anos, foi criado para suprir parte dessa carência.

 

O objetivo das onze expedições realizadas foi mapear a riqueza biológica da região, estudando a diversidade de aves, répteis, anfíbios, mamíferos, peixes, crustáceos e plantas superiores. A estratégia adotada para fornecer os dados básicos foi amostrar parcelas que representassem os ambientes mais significativos das UCs pesquisadas.

 

As áreas foram escolhidas com base em imagens de satélite que permitiram a identificação dos principais tipos de vegetação e assim a escolha dos pontos-alvo para a realização dos inventários biológicos rápidos (RAP – Rapid Assessment Program). As cinco expedições ao Parque do Tumucumaque, três à Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Iratapuru, duas à Flona do Amapá e uma ao cerrado foram realizadas pela Conservação Internacional em parceria com o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama-AP) e Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Amapá (Sema-AP).

 

Principais resultados

O que à primeira vista parecia um tapete verde uniforme de florestas tropicais revelou-se um mosaico com vários tipos de vegetação, solos e formações rochosas e rios de diferentes tamanhos. Cerca de 1.300 espécies foram registradas, das quais dezenas ainda não haviam sido observadas no Amapá. Pelo menos uma dúzia destas espécies são novas para a Ciência, dentre aves, anfíbios e peixes.

 

A flora do Escudo das Guianas, onde está inserido o Corredor do Amapá, contém aproximadamente 20 mil espécies de plantas vasculares descritas, sendo que cerca de 35 % são consideradas endêmicas. As informações dos inventários botânicos indicam que, em onze hectares de florestas amostrados, foram registrados pelo menos 1.300 tipos de plantas, sendo que 569 já foram identificadas precisamente.

 

Descobrir uma espécie nova é tão importante quanto descobrir um planeta ou descobrir um novo gene ou proteína, pois, ao descrever a sua descoberta, o cientista nos ajuda a compreender cada vez mais a exata dimensão da extraordinária complexidade natural que nos cerca. Novas espécies de anfíbios,

lagartos, peixes, crustáceos e plantas foram encontradas e descritas pelos pesquisadores do Iepa.

 

Tão interessante quando descobrir uma nova espécie é redescobrir uma espécie. Este é o caso de um estranho lagarto de quatro dedos denominado de Amapassaurus tetradactylus. Esta espécie tinha sido descrita em 1970, com base em um único espécime coletado próximo ao igarapé Camaipi, um afluente do rio Maracá, mas desde então nunca mais foi visto. Imaginava-se que a espécie havia sido extinta ou que fosse tão rara que seria necessário muito esforço de campo para reencontrá-la.

 

A espécie de lagarto perdida foi reencontrada dentro de uma unidade de conservação e virou assunto de manchetes de jornais pelo Brasil afora. Agora, fica mais fácil de protegê-la e estudá-la com detalhes.

 

Podemos estimar quantas espécies vivem no Amapá a partir do que já é conhecido? Esta é uma pergunta difícil, pois até hoje os cientistas não sabem quantas espécies vivem no planeta. As estimativas atuais indicam que os cientistas descreveram cerca de 1,7 milhão de espécies para o planeta.

 

Todos sabem, entretanto, que o número total de espécies deve ser muito maior, talvez chegando a 13 milhões. Um cálculo simples pode ajudar a estimar a diversidade de espécies esperadas no Amapá. As aves formam um dos grupos biológicos mais bem conhecidos, com relativamente poucas novas espécies a serem descritas. São conhecidas cerca de 9.700 espécies de aves no mundo.

 

No Amapá, foram registradas cerca de 580 espécies de aves, ou seja, 5,6% da avifauna global. Se o valor das aves é uma boa estimativa para os outros grupos de organismos, então podemos estimar que o Amapá deva abrigar por volta de 777.000 espécies. Ainda resta, na verdade, um longo caminho a ser percorrido para conhecer toda a fantástica biodiversidade do Amapá.



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